Méritos e Deméritos *editado_semanalmente [DESATIVADO]
   Uma Outra Visão (também) É Possível

              Com alegria participei do V Fórum Social Mundial, ocorrido em Porto Alegre. Pessoas com diversidades culturais animadamente expuseram suas experiências e ouviram novas idéias. Como dissera uma vez Machado de Assis, quem troca pães fica com único pão, quem troca idéias fica com duas.

                Esta riqueza cultural que tive contato pessoal não vi com a mesma disposição de ser evidenciada como a parte crítica do evento. Algumas informações da mídia dão ênfase para partes quase insignificantes. Trechos de palestras e discursos expostos às vezes ficam com sentidos duvidosos.

                O evento na sua quinta edição, ganhou muita força nas palestras e debates sobre os rumos da esquerda e até mesmo, provocados por José Saramago, a filosofia do atual conceito do que é a esquerda.

                Representantes de governos, inclusive próprios presidentes como Hugo Chávez e Lula, estiveram presentes. Salientaram que a união sul americana será um dos principais impulsos que será feito para os países pobres mostrarem-se presentes e competirem com a soberania européia e dos Estados Unidos da América.

                Intelectuais como Saramago, Esquivel e Leonardo Boff mostraram suas opiniões. Participantes através de maneiras pacíficas mostraram seu descontentamento e protestaram. Houve também opositores que mostraram imaturidade ao invés de protestarem ao que são oposição, fizeram uso de manifestações ao representante e não às idéias de suas contrariedades.

                Com esta diversidade toda, alguns componentes da mídia optaram por o que lhes favoreciam salientar. Talvez por este motivo dê a impressão à alguns que este evento é uma hipocrisia. Certamente o Fórum teve algumas imaturidades, estas em meios aos grandes acertos. Lá não só houve exposições de planos como orientação e revisão de rumos a serem tomados.

                Não vi falarem que no Planeta Atlântida houve grandes assédios sexuais. Também não vi falarem de brigas que houve lá. Será que nada disto aconteceu? Não sei. Sei que no Fórum Social Mundial foram apresentadas muitas propostas concretas que esclareceram à muitos participantes porque tem como lema Um Outro Mundo É Possível. 



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 20h36
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              Observei que estou chuvendo no molhado. Para mim, isto não serve. Por este motivo, a princípio não irei publicar nada, ao menos no restante do mês de janeiro. As crônicas que gosto, que acho que tem valor, não posso publicá-las. Então, vou esperar o Fórum Social Mundial - ocorre de 26 a 31 de janeiro- para decidir se continuo.

             Não é questão de faltar leitores. O problema dos blogs é que em geral, os leitores freqüentam o de ideologia parecida com a dos blogueiros. Com isto, às vezes acabam só relatando fatos, sem mostrar uma idéia nova. Para uns isto é válido - tenho meu nome!-, para mim, não. Quero mostrar coisas novas, visão diferentes. Não para todos concordarem, "apenas" para pensarem de uma outra maneira e decidir qual lhes parece mais correta.

           Agradeço a todos que aqui freqüentam. Um abraço carinhoso.

 

 Aproveitando, lembro de uma frase que não recordo o autor: " Televisão é algo de muita cultura. Toda vez que ligam uma, eu abro um livro". 



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 13h56
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   Divina comédia humana

          Os Estados Unidos da América fazem uma grande descoberta: não encontraram armas de destruição em massa no Iraque. Uma novidade inesperada para qualquer pessoa. Ou.. você achava que não encontrariam? Por descuido esqueci de uma crônica na semana passada. Entretanto, Luis Fernando Veríssimo escreveu na Zero Hora sobre o que eu iria escrever hoje - ou melhor, semana passada. É uma divina comédia humana ver o presidente Bush brincar com o mundo.

         



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 13h42
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   Mais um!

Raras vezes assisto televisão, eventualmente algum filme – que em geral são locados. Mas sei que começará o Big Brother Brasil 5.  Sei também que as regras serão mudadas para sustentar uma quinta edição do programa.

Como? Talvez por estar nas páginas da Internet, ou nas conversas pela rua. Como que sustenta um programa deste? Sustenta-se pela pelação. Desculpe-me, aliás, pela apelação.

Já não adianta mais. Está escancarado. Para alguns olhos parece que o acaso transmitiu os peitos da fulana, ou sua bunda enquanto abaixava-se. Ah, também apareceu um biquíni, é verdade, mas tão pequeno que deixou as pessoas na dúvida se era verde ou azul. E no colégio, nas salas de aula – ou na dos professores- todos discutiam a cor do biquíni.

Entendo pessoas que sentam na frente da televisão para ver a mulher de peitos grandes. Ou até mesmo um lençol se mexendo na imagem pouco nítida, mas que no outro dia está estampado no jornal: Fulano e Ciclana fazem sexo na frente das câmeras. E vou querer que um menino de 12 anos não assista? Ou uma menina para ver a barriguinha do Fulano.

Há um tempo atrás estava no clube da cidade. Fazendo, sei lá, digamos que jogando ping-pong. Sai um casal perguntando se o Big Brother já começou. Olhei para a TV e vi uma moça rebolando. De pronto um componente do casal diz “é a argentina!”. E entra os comerciais e apuram-se para chegarem em casa antes de recomeçar o programa.

Um momento depois, uma cinco mulheres perguntam se já saiu o resultado. Elas eram tão íntimas do programa que poderiam chmá-lo apenas de Big.

- Não sei.

- Tá, mas quem é que ganhou?

- Não sei.

- Mas já deu a votação?

Após responder o questionário, uma delas diz que vai começar. Sentam-se na frente da televisão lamentando que a reunião demorara.

Já está um exagero. Então que comprem a playboy. Ah, na edição da playboy vai estar uma participante do programa. Mas comprem igual, ao menos assim não tem que ficar até o final do programa acordado para ver os peitos das mulheres.

E as que procuram fofocas que continuem a olhar. Como disse Quintana, um dia de chuva é excelente para comprar um livro de poesia. Quem perguntar porquê, de nada adianta comprar um livro de poesias.

Pois então, não posso tentar mudá-los radicalmente, meus caros leitores. Mas reflitam e vejam até que ponto é vantagem (se é que encontrarão vantagem nisto). Talvez agora já haja leitores que não chegaram até a presente linha pois já começara o Big Brother.



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 15h31
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   O Supremo Castigo

Eu conversava com uma criança que está começando a ler. Ela ainda está no pré e já começou a ler. Isto é bom ou é ruim? Cada vez crianças estão sendo mais exigidas e... Isto é assunto para uma outra crônica. Eu perguntava o que ela pensava ao ver as palavras antes de ler, se tinha vontade de saber o que estava escrito.

            Ela diz a mim que algumas palavras ela já sabia. Sem deixar tempo para que eu lhe perguntasse alguma, ela me conta:

            - Coca eu já sabia, claro né!

            E quem não sabe identificar a Coca-Cola? Mesmo que esteja escrito em outra língua – até mesmo em húngaro-, quem não identifica Coca-Cola por suas cores, por o formato de suas letras? Isso tudo me fez lembrar o Supremo Castigo do grandioso Mário Quintana.

           

    Supremo Castigo

 

   Em todos os aeródromos, em todos os estádios, no ponto principal de todas as metrópoles, existe - quem é que não viu?- aquele cartaz...

    De modo que, se esta civilização desaparecer e seus dispersos e bárbaros sobreviventes tiverem de recomeçar tudo desde o princípio - até que um dia também tenham os seus próximos arqueólogos- estes hão de sempre encontrar, nos mais diversos pontos do mundo inteiro, aquela mesma palavra.

    E pensarão eles que Coca-Cola era o nome do nosso Deus!"

 

 

            Quintana disse tão bem o que eu iria dizer neste último parágrafo, que sinto-me satisfeito. Não é mais necessário palavra alguma.

 



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 14h41
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   Obs:

               Desculpem a colocação de (risos) na crônica, é que blogueiro não tem duas chances em geral. Isto é para perceber minha ironia. A partir de agora, dispensarei os risoss, pois deduzo que o leitor - ao menos o mais assíduo- já percebe que tem crônicas que sou bastante irônico.

               O Natal acho uma belíssima data, temos que cuidarmos para não estragarmos-a



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 19h35
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   O Espírito - ou Fantasma!- natalino

                O espírito natalino tem se transformado em fantasma. Talvez por isso pessoas confundam a diferença – grande diferença!- entre espírito e fantasma, em ambos os sentidos. Tem-se que comprar o presente para o irmão, a mana, as sobrinhas, o filho e o marido.

                De repente, não mais que de repente, está-se em um engarrafamento. Poxa! Eu ainda tenho que comprar os presentes. Buzina. Empurra a mão na buzina. O motorista da frente já se irrita e sai do carro a gritar.

                O relógio parece andar duas vezes mais rápido. E o Papai Noel, duas vezes mais devagar. Agora está  tudo bem! Todos os presentes comprados, exceto o do marido. Uma gravata. Homem sempre adora gravata.

                Amarela? Não. Listrada ou lisa? Ai, estou sem cabeça para decidir. O vendedor escolhe. A noite todos bebem e comem, enquanto as crianças, em braile,  tentam descobrir os presentes.

                E isso é o espírito natalino. Detalhe: antes do jantar, ou melhor, da ceia, a Mamãe Noel resolve comprar um lanche. E sempre é descarregado no vendedor de hamburguer todo seu cansaço e stress. Está demorando! Para o outro já levou e eu que cheguei primeiro ainda não recebi.

                E toda a culpa é do atendente da lancheria. Ou do que atende no pedágio. Agora sim, isto é o espírito natalino. Que na verdade é o fantasma natalino – comprar presentes. Alguma família – e uma que outra solterona-, lembra-se de Jesus Cristo. Outros lembram-se no horário da prece:  Pedrinho, silêncio que vamos fazer a prece. Obrigado senhor por toda esta comida... mãe! Pedrinho, estou fazendo a prece. E por o dia de hoje que nós... Manhê! Pedrinho, por favor. Obrigado Senhor por tudo! Agora sim, pode falar filho. Já dá para abrir os presentes? Vamos comer primeiro.

                E a cada ano é esquecido a reflexão. Tudo por culpa do Papai Noel? Talvez. Mas como diz Machado de Assis: mudou o Natal ou mudamos nós? O apelo comercial tem sido muito intenso. É óbvio que não há problema em presentearmos quem gostamos. O problema é tornarmos o espírito em fantasma natalino.

                Então, um conselho: não seja atendente perto do Natal. Nem do pedágio e, tampouco, da lancheria. (risos)

O Natal é época de reflexão e mudanças pessoais. Rever conceitos. Comemorar a liberdade. É bom crianças crerem em Papai Noel, mas é mais do que interessante que ela creiam em Papai do Céu.

                Poxa! Olha só a hora! Esqueci. Ainda tenho que comprar o presente de minha afilhada.

     (risos)



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 19h32
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   Uma Tecnologia Não Tão Evoluída

               Fiz uma crônica sobre algo que inventei que é mais eficaz que a Yoga. Ele ainda não tem nome. Leitores assíduos saberão. Outros que não implorem, só reconto o método depois que patenteá-lo (risos). Aplicando minha invenção, vem um tema que há tempos quero escrever no blog.

                Mas não é que uma cena que vejo merece um escrito. E escrevi. Era algo com um pássaro e seus filhotes. E não é que gostei do escrito. E não é que meus “Es” estão excessivos. E não pude publicá-la. Sem contar que aumentei o desejo de escrever o tema inicial.

                Por que? Justamente o motivo de eu gostar do que escrevi que faz eu não publicá-lo. Se escrevo na Internet perco qualquer direito autoral. Não que eu pense que são grandiosos escritos, algo a ser guardado a sete chaves. Mas gosto deles e prefiro preservá-los.

                Sinto tristeza em não publicar os escritos (poesias, contos e algumas crônicas). Porém, infelizmente, a tecnologia devido sua velocidade, pecou em certo ponto. Sou a favor da Internet, entretanto, ela não dá à mim, segurança. Talvez a alguém que tenha mais conhecimento em informática ela dê. Mesmo assim, acredito que ninguém fica isento de ter o texto “roubado”. A não ser que antes de publicar, registre-os ( haja dinheiro para isso!).

                A respeito de tecnologia, o celular é um bom exemplo. Ele é a melhor e a pior invenção – o relógio também, por motivos diferentes... Achar o médico em um momento tenso, uma maravilha. Ligar da estrada para o SOS, maravilha. Ver crianças presa a eles como se fosse parte do corpo, uma porcaria. Ver a apelação e o jogo das empresas nos tornando-nos cada vez mais consumistas, porcaria.

                A televisão, atualmente, também não tem tido bom uso. Sou a favor dela, como sou a favor de não prender-se à ela. Santos Dumont decepcionou-se quando o avião foi usado para guerras. Mesmo assim, sou a favor do avião, ele tem grandes benefícios.

                Sou a favor da tecnologia sim, é claro. Só às vezes é bom cuidarmos para não termos invés de uma tecnologia avançada, uma tecnologia retardada. Não podemos avançar por um lado e retardar por outro.

                Poxa! Gostei desta crônica. E agora? Publicar? Sim. Vou preservar apenas a do passarinho...



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 20h43
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   Falem de mal, mas falem de mim

Há pouco tempo um amigo meu veio me contar que um cronista de uma revista conhecida nacionalmente escreveu falando mau de Chico Buarque. Ele contou algumas coisas, tipo que o cronista dizia que o Chico tem que ter atenção especial, ele quer aparecer, por isso ele faz silêncio nas mídia, assim, quando aparece tem mais ênfase as reportagens. Ao eu menosprezar a crônica, ele me diz que o “escritor” não gostava deste artista e sua mulher era apaixonada, e ele confessava que um pouquinho era ciúmes.

Outro dia, outro amigo vem me contar que o Lobão estava criticando Gente Humilde. Dizia que Chico não viveu lá no meio da pobreza para saber o que é aquilo. Fiquei até com pena deste argumento, por vários motivos. Em primeiro lugar, a música é quase toda do Vinicius de Moraes. Em segundo, a música conta a história de alguém de fora, que “muito bem, vindo de trem vê algum lugar” observa. E em terceiro lugar, não precisa viver no meio para comentá-lo.

Mas, eu falei no Lobão. E o que ele quer? Em minha visão, aparecer. Ao menos assim estavam falando dele. Acho até interessante alguma de suas idéias, mas coerência faltou. E muita.

Acho que podem criticar Chico Buarque. Mas é necessário opiniões concretas, e sobre tudo, ter conhecimento do que fala. Senão, não vejo outro motivo além de tentar aparecer.

Há pessoas que pensam: falem de mal, mas falem de mim. Esta frase acho que diz tudo.

 



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 12h13
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   Mulheres

         

                A beleza das mulheres é fantástica. Ainda não havia abordado tema semelhante a este no blog. Mas agora faz-se necessário.

                Há mulheres de beleza estética. Outras de beleza intelectual. E ainda há as que equilibram as duas qualidade. Vinicius de Moraes disse: “as muito feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”. A beleza estática é fundamental, certamente. Mas varia de cada predador.

John Lennon amava e achava bela sua mulher, Yoko. Entretanto, jornalistas não o entendiam. Como um homem que possui tantas mulheres lhe desejando escolhe uma feia? Ela era linda para Lennon, isto que é o importante.

Vinicius disse também, que uma mulher tem que ter algo a mais que beleza, algo que chora... É essencial algo além da estética, ao menos para convivermos. Tanto que Oswaldo Montenegro parodia um verso de Vinicius e diz: as muito burras que me desculpem, mas inteligência é fundamental. E eu digo ainda, as ignorantes que me desculpem, mas cultura é fundamental.

                Darei ênfase nesta crônica, nas mulheres que possuem apenas estética. Tem apenas a embalagem, sem conteúdo, sem intelecto. Luis Fernando Veríssimo, conta que quando criança, recebia, por exemplo, um carrinho de Natal. Ficava tão contente com a embalagem, que às vezes desprezava o presente e iria brincar com ela – de carrinho, é claro!

                Essas mulheres de embalagens apenas, são mulheres para ser conhecidas de longe – ou melhor, de perto! São mulheres para serem fontes de desejo, para os homens acreditarem na perfeição. Não devem ser conhecidos seu intelecto para não decepcionarem.

                São mulheres de noites. Não que sejam boêmias. É que devem ser possuídas carnalmente, não são feitas para casar, para serem companheiras. Às vezes encontram um homem de mesmo modo seu e acabam juntando-se.

                Eis mulher que não possui conteúdo, mesmo assim és linda. E já alegra o pedreiro, o flanelinha, o motorista, o camelô, etc. 

                Mulheres de embalagens, de conteúdo e surpresa. Mulheres sentimentalistas. Femininas. Oh, grandiosas mulheres!      



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 10h56
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   A Última Crônica

            Fernando Sabino escreveu em um livro A Última Crônica. Escreveu como gostaria seu último escrito. Para mim, ela é inesquecível. Esses dias, voltava de uma festa eu e um amigo. Uma menina vem de mão com uma mulher. A mulher, desequilibrada, vem de encontro a nós. Vamos para o lado. Pouco tempo depois, vai para cima de um homem. Ele desvia. Ela fica olhando, fala algo que não ouço. Então, a menina de não mais que dez anos,  sustenta um olhar firme para frente e com valentia diz calmamente:

            - Ele já saiu, mãe.

            Ela dizia que o homem tinha saído. Que não queria nada com sua mãe. Quando disse a palavra mãe, senti algo traiçoeiro. Uma punhalada. Era uma menina, uma criança, que tinha mais responsabilidade do que quem a gerou. Carregava a mãe embriagada de volta para casa e ouvia todas as barbaridades que ela falava no caminho.

            E eu, segurando as lágrimas, ouço do meu amigo uma célebre idiota frase, “ te preocupa com uma bêbada, já vi coisa muito pior”. O que ele não entende, ou não quer entender, é que me preocupo porque é a mãe da criança. Como sonhar com um belo futuro com este exemplo de sua mãe.

            Uma criança inocente, que busca sua mãe em um bar para levá-la para casa. Uma criança preocupada com o que possa acontecer com a mulher que lhe deu a luz. Uma criança muita mais adulta do que a mulher que carrega.

            Assim, eu gostaria de escrever minha última crônica. Tão forte como esta criança. Tão bondosa e preocupante, como esta criança. Uma crônica tão pura quanto uma criança e tão responsável e valente como a criança que vi carregar sua mãe.  



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 10h14
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   Novela

             Ao ser perguntado quais os programas de televisão que eu assisti, fiz uma descoberta. Quase não assisto televisão. E isso não me fez falta alguma. Foi algo expontâneo. Não sube responder a pergunta feita. Até mesmo eu me surpreendi.

             Lembro que estava cansado de alguns programas, então ia ouvir música neste horário. E assim foi. Observei que televisão é questão de hábito. Foi por aí que virei diretamente um protestante de novelas. Só para constar: de novelas, não de filmes.

             Confesso. Às vezes fico curioso quando falam de novelas. Ouço muitas pessoas discutindo - algumas até preocupadas- a vida dos personagens. E pior, lêem antes de assisti-la. Quando falam do tapa que a Fulana deu na Ciclana, fico curioso. Chego a ficar tenso de tanta curiosidade: como é que essas pessoas conseguem asssistir novelas?

            O engraçado é a preocupação, pois já leram o final e não concordam caso não sejam todos felizes para sempre. Sempre no sábado, ou mais exatamente na sexta-feira, é sabido que a revista havia errado. Todos foram felizes para sempre, graça a Deus!

           Em época de novela, os protaganistas estão por toda a parte. Ou melhor, os seus nomes. É o cachorro, o gato e, muitas vezes, os filhos. Novela italiana? Triplica o nome de Giusepe, Giuzepe, Giuseppe - e outras novas formas de dizer Giuseppe.

           Por esses motivos, e principalmente pela apelação - e pelação- das novelas, que não as assisto. Posso até estar enganado. Pode ser uma coisa boa. Lembrando de Sinhô - sambista muito antigo-, novela é boa, eu aqui e ela lá.

            



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 14h04
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   Método Revolucionário (ainda sem nome, sua publicidade ainda está em desenvolvimento)

            Acho que as pessoas que fecham os olhos para descansarem jamais olharam para o céu. É, porque respirar fundo e olhar para o céu é um bom descanso. Gosto muito da natureza.

            Faço Yoga, gosto muito. Mário Quintana disse para que não demos bola para Yoga, pois a melhor ginástica que há é ler Camões em voz alta. Eu descubro outro método mais - ou tão- relaxante e produtivo. Ainda falta um nome para defini-lo. Só que ele é muito exigente, qualquer regra que não esteja de acordo pode ser prejudicial. Mas você com criatividade pode desmembrá-lo, ou melhor, adaptá-lo. Por favor, mantenham em sigilo até eu patentiá-lo (risos).

            Esquente uma água e prepare o chimarrão. Depois, na tardinha, coloque uma boa música. Geraldo Azevedo, Tom Jobim, Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Miúcha, Toquinho, Edu Lobo, Gonzaguinha e Oswaldo Montenegro já foram testados. Uma boa sugestão é colocar Baden Powel, Noel Rosa, Lupcíneo Rodrigues e algo do tipo. Depois, sente-se em um jardim. Algum local com árvores e que possa enxergar o céu. Tem que ser sentado pois diversas vezes, para dar mais um "apoio" ao compositor, terá que levantar em algumas músicas.

           Uma exigência que não pode ser modificada: afaste-se do celular, do relógio e semelhantes. O tempo deve ser analisado sem exatidão. Pensando bem, nem analisado precisa ser...

           Consegui um dia fechar com chave de ouro. Foi por acaso, mas vocês podem provocar o "acaso". Coloquem Felicidade como última música. Pois quando imagina-se que tem que fazer algo, vem aquela canção: tristeza não tem fim, felicidade sim.  Desde que o compromisso não seja com a televisão - especificamente com novelas-, pode ir tranqüilo para ele. Você já doou um tempo para si.



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 13h48
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                A princípio não iria escrever hoje sobre política. Mas confesso que fico triste porque provavelmente irá entrar um ministro do partido progressista. Não criticando o partido propriamente, mas sim, um governo de "esquerda" aliado de um extrema direita. Podemos analisar por dois lados, como tudo. Ah, que bom que estão juntando-se, sem preconceito. Ou são ideologias políticas opostas, será que não é algo para a próxima eleição ter... Melhor parar por aqui. Pensem nisto.

Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 13h21
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   Fotos Coloridas

Entender os eleitores, cada dia isto parece mais complicado. Não esqueço de quando eu soube  do ataque de  um  avião  terrorista. O almoço já cheirava quando um segundo avião ataca nos EUA.

No dia seguinte, lembro de meus irmãos recortando jornais. Gostariam de tê-los guardados o que poderia ser um marco. Também não esqueço minha revolta e meus recortes de quando iniciara a guerra no Iraque. Uma revolta não apenas minha.

Não demorou muito tempo para as reportagens da guerra virem em preto e branco. Até que manifestações nas grandes cidades, inclusive brasileiras, “mereceram” o colorido nas imagens. Mas de repente o mundo calou-se. Os manifestantes e os soldados – estes talvez por agirem mais de pressa ainda.

Hoje vejo foto colorida da guerra. Depoimentos de militares que querem matar E o povo? Alguns vejo sentirem calados. Outros indiferentes. Raros manifestam-se.

Sobre a morte de um jogador, Paulo Sant´ana encerrou uma crônica sua lembrando  a cena de jogadores de futebol que fizeram a barreira de costas para verem o golaço que o Pelé iria fazer. Isso demonstra que precisamos mesmo ver para crer.

Então mídia, as portas estão abertas. Filmem a morte de cem mil pessoas. Coloquem fotos coloridas de rins, músculos, ossos humanos. Assim, talvez alguém tenha que fazer algum esforço. Nem que seja o de contrair os olhos e virar a página, de nojo da figura estampada.



Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 15h54
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