Aparência dos Livros
Há várias sensações ao ver um livro. Há quem julgue sua impressão e o preço, outros preferem prever o tempo que levariam para lê-lo e ainda há quem fique tomado de expectativa por a qualidade de seu conteúdo, quase o devorando.
Esses dias eu observava dois livros. Um meu, outro de minha colega. Eram iguais, aliás, seu conteúdo era o mesmo. O meu tinha as folhas um tanto amareladas, algumas frases sublinhadas e com observações. No livro dela, as folhas eram brancas, sua impressão não possuía desgaste algum, conservava o cheiro de quando novo.
O meu, em minha opinião, era o mais belo. Não por ser meu, mas sim por seu histórico. Um livro velho –não é sinal de mal conservado- já serviu para tantas pessoas sugar o seu valioso conteúdo. O virgem, que geralmente é considerado melhor, ainda nem foi lido por inteiro.
Descobri que a diferença maior entre os dois livros é que o meu era um livro honrado. E honra é muito significativa. Ela é que comprova o valor. Infelizmente, temos pessoas –e até mesmo universidade- desvalorizando livros por sua história, por sua idade.
Tive um incômodo com uma universidade, pois ela descartou quase trezentos livros declarando que havia neles fungos e ácaros e, por sorte, foram encontrados por duas pessoas que passavam por perto. Chegou a vir um representante de um centro cultural de outra cidade buscar os livros dizendo que alguns são raridades no Brasil. Publiquei uma crônica no jornal finalizando-a com a seguinte ironia: será que o representante do centro cultural colecionava fungos? Ela teve um grande efeito, talvez maior do que eu –e vocês- imagine(m).
Os sebos são valiosos, apesar de parte da população –ignorantes- acreditarem que ele é para os pobres. Claro –felizmente- que há livros mais baratos porém há de preços mais elevados que os novos. Devemos sim aprender com os livros, tanto com os novos como com a sabedoria dos velhos, sem desprezá-los.
Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 16h10
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