FRANCISCO BUARQUE DE HOLANDA
Nos traduz esse almanaque que é o Brasil. Essa é a opinião de Oswaldo Montenegro sobre Chico Buarque. Essa é a verdade. Além de descobrirmos o Brasil, faz também conhecermos melhor o nosso íntimo. Por exemplo, quantas mulheres já refletiram e descobriram o seu sentimento que antes parecia indescritível?
Chico nos oportuniza a termos uma das melhores músicas mundiais. Grandes parceiros teve para isso.
As palavras estão sendo desgastadas nos últimos tempos, somente um grande poeta para ressuscitar a sua força. Devido ao mal emprego das palavras, hoje falta uma palavra de grande força e complexidade para definir alguém de tamanhas qualidades. Ainda prefiro GÊNIO, apesar do desgaste que esta vem sofrendo –talvez pela falta de gênios verdadeiros.
Obra-prima, por exemplo, significa a melhor obra. Há quem tenha mais de uma. Como? Devido também, ao mal emprego das palavras. A obra-prima –a verdadeira- do Chico, eu não “atrevo” a escolher. Todo seu trabalho é de qualidade, assim, mantendo um alto nível em toda sua produção.
Resolvi então falar de duas músicas. Escolhidas não por acaso, mas por terem me tocado muito nos últimos dias. “Eu Te Amo”, resultou de uma parceria com o “maestro soberano” Antonio Carlos Jobim. A música consegue atingir um local em nós que parece tão distante. Por um momento parece que vivenciamos aquilo tudo. Uma música muito bem letrada e com uma melodia bem trabalhada no piano.
“Gente Humilde” resultou de uma música instrumental de Garoto e foi letrada por Chico e, basicamente, por o poetinha, Vinícius de Moraes. Uma melodia sensacional acompanhada de um bom arranjo e de uma letra espetacular. Este foi o resultado final. Música de chorar. E de refletir nossos julgamentos sobre “gentes humildes”.
Além de músico, poeta, letrista, Chico Buarque entra para a prosa, seu sonho de menino. Em relação aos seus romances, Fazenda Modelo foi um desabafo de indignação “implicitamente explícito” em relação à ditadura. Em Estorvo, o autor demonstra de um modo atrativo, um romance bem entrosado com o título. Benjamim faz uma grande crítica, bem escrito.
Mas Budapeste, dedicarei um parágrafo. Chico faz um excelente romance de ficção. Ele usa uma técnica antiga mas que se torna atual. Cada página prende mais o leitor. Desde sua capa, Budapeste é bem formulado de uma maneira inteligente. Uma boa leitura. Creio ser o melhor, me parece que o autor está mais maduro.
Chico vem nos encantando a tempos. Eu ouço músicas do tempo que meus pais ainda eram solteiros e acho-as cada vez mais atuais. A tempos Chico Buarque faz alerta. Já avisava os passarinhos: o homem vem aí.
O nosso GÊNIO anda fazendo silêncio. Muito inteligente sua atitude. Apesar de “perdermos” de ouvir suas entrevistas, há um motivo maior para sua quietude. Há quem diga que é por timidez, não acredito. Ele é tímido, mas não é em excesso. Em Chico Buarque confio, nunca me decepcionou.
Brincalhão, inteligente, genial. Assim é Francisco, Francisco Buarque de Holanda. A nós, leitores, resta apreciar a sua obra, saboreando-a. Mas resta também um pedido: querido Chico, por favor, continuas a nos escrever, pois cada material originado de ti, faz crescer a qualidade de nossa literatura. Prometemos: grudaremos em sua obra feito tatuagem, que é para nos dar coragem, para seguir viagem, quando a noite vem.
Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 20h40
[]
[envie esta mensagem]
|