Fotos Coloridas
Entender os eleitores, cada dia isto parece mais complicado. Não esqueço de quando eu soube do ataque de um avião terrorista. O almoço já cheirava quando um segundo avião ataca nos EUA.
No dia seguinte, lembro de meus irmãos recortando jornais. Gostariam de tê-los guardados o que poderia ser um marco. Também não esqueço minha revolta e meus recortes de quando iniciara a guerra no Iraque. Uma revolta não apenas minha.
Não demorou muito tempo para as reportagens da guerra virem em preto e branco. Até que manifestações nas grandes cidades, inclusive brasileiras, “mereceram” o colorido nas imagens. Mas de repente o mundo calou-se. Os manifestantes e os soldados – estes talvez por agirem mais de pressa ainda.
Hoje vejo foto colorida da guerra. Depoimentos de militares que querem matar E o povo? Alguns vejo sentirem calados. Outros indiferentes. Raros manifestam-se.
Sobre a morte de um jogador, Paulo Sant´ana encerrou uma crônica sua lembrando a cena de jogadores de futebol que fizeram a barreira de costas para verem o golaço que o Pelé iria fazer. Isso demonstra que precisamos mesmo ver para crer.
Então mídia, as portas estão abertas. Filmem a morte de cem mil pessoas. Coloquem fotos coloridas de rins, músculos, ossos humanos. Assim, talvez alguém tenha que fazer algum esforço. Nem que seja o de contrair os olhos e virar a página, de nojo da figura estampada.
Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 15h54
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