O Espírito - ou Fantasma!- natalino
O espírito natalino tem se transformado em fantasma. Talvez por isso pessoas confundam a diferença – grande diferença!- entre espírito e fantasma, em ambos os sentidos. Tem-se que comprar o presente para o irmão, a mana, as sobrinhas, o filho e o marido.
De repente, não mais que de repente, está-se em um engarrafamento. Poxa! Eu ainda tenho que comprar os presentes. Buzina. Empurra a mão na buzina. O motorista da frente já se irrita e sai do carro a gritar.
O relógio parece andar duas vezes mais rápido. E o Papai Noel, duas vezes mais devagar. Agora está tudo bem! Todos os presentes comprados, exceto o do marido. Uma gravata. Homem sempre adora gravata.
Amarela? Não. Listrada ou lisa? Ai, estou sem cabeça para decidir. O vendedor escolhe. A noite todos bebem e comem, enquanto as crianças, em braile, tentam descobrir os presentes.
E isso é o espírito natalino. Detalhe: antes do jantar, ou melhor, da ceia, a Mamãe Noel resolve comprar um lanche. E sempre é descarregado no vendedor de hamburguer todo seu cansaço e stress. Está demorando! Para o outro já levou e eu que cheguei primeiro ainda não recebi.
E toda a culpa é do atendente da lancheria. Ou do que atende no pedágio. Agora sim, isto é o espírito natalino. Que na verdade é o fantasma natalino – comprar presentes. Alguma família – e uma que outra solterona-, lembra-se de Jesus Cristo. Outros lembram-se no horário da prece: Pedrinho, silêncio que vamos fazer a prece. Obrigado senhor por toda esta comida... mãe! Pedrinho, estou fazendo a prece. E por o dia de hoje que nós... Manhê! Pedrinho, por favor. Obrigado Senhor por tudo! Agora sim, pode falar filho. Já dá para abrir os presentes? Vamos comer primeiro.
E a cada ano é esquecido a reflexão. Tudo por culpa do Papai Noel? Talvez. Mas como diz Machado de Assis: mudou o Natal ou mudamos nós? O apelo comercial tem sido muito intenso. É óbvio que não há problema em presentearmos quem gostamos. O problema é tornarmos o espírito em fantasma natalino.
Então, um conselho: não seja atendente perto do Natal. Nem do pedágio e, tampouco, da lancheria. (risos)
O Natal é época de reflexão e mudanças pessoais. Rever conceitos. Comemorar a liberdade. É bom crianças crerem em Papai Noel, mas é mais do que interessante que ela creiam em Papai do Céu.
Poxa! Olha só a hora! Esqueci. Ainda tenho que comprar o presente de minha afilhada.
(risos)
Escrito por Mário Eugênio Saretta Poglia às 19h32
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